Medida anunciada a apenas nove dias do primeiro turno tinha forte aprovação popular, mas provocou reação de setores do mercado e pode ter criado um efeito eleitoral diferente do esperado pelo governo.
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de proibir as plataformas de apostas esportivas e cassinos online entrou na reta final da eleição presidencial de 2026 como uma das principais apostas do governo para conquistar apoio popular. Entretanto, após o primeiro turno, integrantes da própria campanha petista passaram a avaliar que a medida pode ter produzido um efeito eleitoral diferente do esperado.
A Medida Provisória foi anunciada em 25 de setembro, apenas nove dias antes da votação. Naquele momento, a estratégia do governo era explorar a preocupação crescente dos brasileiros com o endividamento provocado pelas apostas e apresentar Lula como responsável por uma resposta mais dura ao problema.
A estratégia tinha respaldo na opinião pública. Pesquisa Datafolha divulgada às vésperas da eleição mostrou que 78% dos entrevistados eram favoráveis à proibição das bets e dos cassinos online, enquanto 18% eram contrários. Entre os eleitores de Lula, o apoio chegava a 85%.
Mesmo assim, a aprovação da medida não significava necessariamente transferência de votos para o presidente.
Pesquisa indicava vantagem, mas não necessariamente ganho de votos.

Levantamento PoderData/AYA realizado entre 30 de setembro e 2 de outubro mostrou que 43% dos eleitores acreditavam que a proibição das bets favorecia a campanha de Lula, enquanto 31% avaliavam que a decisão poderia prejudicá-lo. Outros 26% não souberam responder.
O resultado revela uma contradição importante: a maioria da população apoiava a proibição, mas isso não significava que a medida seria automaticamente convertida em votos para o presidente.
Uma avaliação da AtlasIntel citada pela imprensa também apontava que medidas como a proibição das bets poderiam ter maior capacidade de mobilizar eleitores já próximos de Lula do que convencer eleitores indecisos a mudar de candidato.
O problema:
O anúncio ocorreu na reta final
A principal questão eleitoral passou a ser o momento escolhido pelo governo.
A medida foi anunciada a poucos dias da votação e provocou forte reação de empresas e entidades ligadas ao setor.
Representantes do segmento argumentaram que o governo havia criado anteriormente um mercado regulado, concedido autorizações e recebido recursos das empresas, para depois interromper a atividade por meio de uma medida provisória.

A reação também alcançou setores esportivos que tinham contratos de publicidade e patrocínio relacionados ao mercado de apostas.
Assim, uma iniciativa apresentada pelo governo como defesa das famílias acabou abrindo uma nova frente de críticas justamente quando a disputa presidencial estava mais acirrada.
A própria campanha de Lula admite possível erro
O dado mais significativo surgiu depois da votação.
Segundo reportagem da Folha, integrantes da campanha de Lula avaliaram, em reunião realizada em 5 de outubro, que a MP das bets pode ter sido um erro estratégico por ter sido anunciada muito próxima da eleição.
A avaliação interna ocorreu depois do primeiro turno e considerou, entre outros fatores, a reação de influenciadores e defensores do setor à decisão do governo. A campanha também reconheceu que a medida havia sido tomada com base em pesquisas que mostravam forte apoio da população ao fim das apostas.
Ou seja, o problema pode não ter sido necessariamente a rejeição à proibição, mas a tentativa de transformar uma medida de política pública em um ganho eleitoral imediato.
Lula terminou atrás de Flávio Bolsonaro
O resultado das urnas acrescentou peso ao debate.
No primeiro turno, os dados disponíveis apontam Flávio Bolsonaro à frente de Lula na votação presidencial. O resultado oficial parcial utilizado pela fonte eleitoral consultada registra Flávio com aproximadamente 47% dos votos válidos e Lula com aproximadamente 45%.
Isso, porém, não permite afirmar que a proibição das bets foi responsável pela diferença. Não existe, até o momento, pesquisa capaz de identificar quantos votos Lula teria recebido caso a medida não tivesse sido anunciada.
O que existe é uma combinação de fatos: a proibição tinha elevada aprovação popular; foi anunciada muito próximo da eleição; provocou reação de grupos atingidos; e, posteriormente, integrantes da campanha petista passaram a considerar que a estratégia poderia ter sido equivocada.
Uma aposta eleitoral que não entregou o resultado esperado?
A decisão de Lula pode ser interpretada como uma tentativa de ocupar uma pauta de forte apelo social: o combate ao endividamento e aos problemas associados às apostas.
Uma pesquisa anterior da More in Common/Ipsos-Ipec já havia mostrado, porém, que o tema não era necessariamente determinante para a escolha presidencial. 58% dos entrevistados disseram que a posição de um candidato sobre restrições às bets não afetaria sua decisão de voto, enquanto 24% afirmaram que uma posição favorável à limitação poderia aumentar sua disposição de votar no candidato.
Esse dado ajuda a explicar por que uma medida com grande aprovação social não necessariamente se transforma em vantagem eleitoral.
Popularidade não é sinônimo de voto
A experiência das bets na eleição de 2026 deixa uma questão para o governo Lula: uma medida pode ser popular e, ainda assim, não produzir o efeito eleitoral esperado.
A proibição agradou a uma parcela expressiva dos brasileiros, especialmente aqueles preocupados com endividamento e perda de renda. Mas também provocou resistência de empresas, influenciadores e pessoas que defendiam a manutenção do mercado regulado.
No ambiente polarizado da eleição, portanto, o anúncio pode ter servido mais para consolidar eleitores que já apoiavam Lula do que para conquistar novos votos.
Por isso, afirmar que a proibição das bets “derrubou” Lula seria precipitado. O que os dados permitem dizer é que a estratégia não produziu uma vantagem eleitoral claramente mensurável e acabou sendo posteriormente questionada pela própria campanha do presidente.
A disputa mostrou, mais uma vez, que aprovação de uma política pública e intenção de voto são fenômenos diferentes — e que, em uma eleição decidida em poucos pontos percentuais, o momento escolhido para anunciar uma medida pode ser tão importante quanto a medida em si.












Catuense, pai, Advogado, Professor, Jornalista, Radialista, Gestor de futebol, Escritor e Empresário; Coordenador Municipal de Segurança Pública da Prefeitura de Catu; Professor de Educação Básica do Município de Itanagra; Membro da Academia Internacional de Literatura; Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores. Com formação em: Telecomunicações; Processo Petroquímico; Teologia; Matemática; Direito; e Ciências Biológicas; Mestre Em Comunicação e Jornalismo; Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais; Especialista em Direito Administrativo; Especialista em Criminologia; Especialista em Educação Basica; Especialista no Ensino de Matematica e Biologia; Especialista em Coordenação e Gestão Educacional; Graduando em Farmácia; Licenciando em Ciências da Computação e Informática; Licenciando em Física.

