A celebração do dia 21 de abril no Brasil vai além de um simples descanso no calendário. A data marca a execução de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, transformado no maior símbolo de liberdade do país.
No entanto, a escolha da figura como herói nacional não foi obra do acaso; foi uma estratégica política iniciada no final do século XIX para dar um rosto à identidade do Brasil, como explica o historiador Cleiton Mesquita.
O sacrifício como diferencial
Embora a Inconfidência Mineira tenha tido vários participantes, a maioria era da elite: padres, poetas e militares de alta patente. Quando o movimento foi descoberto, quase todos conseguiram penas mais leves, como o exílio.
Tiradentes foi o único executado. Segundo o historiador, alguns fatores foram cruciais para sua importância nacional.
“Era de origem mais humilde que outros inconfidentes e não deixou herdeiros políticos ou familiares fortes para disputar sua imagem. Ele assumiu mais diretamente a responsabilidade. Ou seja, sua morte violenta (enforcado e esquartejado) ajudou a construir uma narrativa de sacrifício. A história adora personagens que morrem por uma causa”, explica.

A necessidade de um herói para a República
O Brasil foi uma monarquia (governado por imperadores) por muito tempo. Quando a República foi proclamada em 1889, os novos governantes precisavam de símbolos que não fossem os reis ou príncipes portugueses.
Tiradentes foi resgatado da história porque:
- Lutou contra a coroa: Ele era o símbolo perfeito da resistência ao domínio de Portugal.
- Não tinha herdeiros: Como não deixou descendentes políticos poderosos, sua imagem era “limpa” e fácil de ser moldada pelo governo.
- Aparência simbólica: Sua imagem foi pintada para se parecer com a de Jesus Cristo (cabelos longos e barba), associando a luta pela liberdade a um sacrifício quase religioso.
Por que a data virou feriado nacional?
O feriado de 21 de abril (data de sua morte em 1792) foi oficializado logo no início da República para unificar o país. Naquela época, o Brasil era muito fragmentado, com identidades regionais fortes.
“Isso aconteceu porque o novo regime precisava criar uma memória coletiva republicana, fortalecer símbolos de resistência à monarquia e unificar o país em torno de uma narrativa comu. Assim, o que era um episódio regional (em Minas Gerais) passou a ser usado como símbolo nacional de ‘luta pela liberdade'”, detalha Cleiton Mesquita.
Visão histórica atual
Ao longo dos séculos, a percepção sobre Tiradentes oscilou conforme o momento histórico. No Império, era visto como um traidor; na República, um herói. No século XX, as escolas o apresentavam como um “herói puro” e precursor da independência.
No entanto, a historiografia moderna traz uma visão mais crítica. Cleiton Mesquita ressalta que hoje os historiadores mostram que o movimento era mais elitista e menos “popular” do que se ensinava.
O feriado permanece como um marco didático: ele nos lembra que a construção de uma nação exige símbolos de coragem, mesmo que esses símbolos tenham sido reforçados por interesses políticos de sua época.











Catuense, pai, Advogado, Professor, Jornalista, Radialista, Gestor de futebol, Escritor e Empresário; Coordenador Municipal de Segurança Pública da Prefeitura de Catu; Professor de Educação Básica do Município de Itanagra; Membro da Academia Internacional de Literatura; Membro Imortal da Academia Interamericana de Escritores. Com formação em: Telecomunicações; Processo Petroquímico; Teologia; Matemática; Direito; e Ciências Biológicas; Mestre Em Comunicação e Jornalismo; Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais; Especialista em Direito Administrativo; Especialista em Criminologia; Especialista em Educação Basica; Especialista no Ensino de Matematica e Biologia; Especialista em Coordenação e Gestão Educacional; Graduando em Farmácia; Licenciando em Ciências da Computação e Informática; Licenciando em Física.

